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CAPÍTULO 2: HISTÓRIA DOS MAPAS
2.1) Mapas como produtos culturais
2.2) Mapas, cartas e plantas
2.3) Mapas e religiosidade
2.4) Confecção de mapas pelos povos
2.4.1) Chineses e gregos
2.4.2) Franceses e portugueses
2.4.3) Maias e astecas
2.4.4) Árabes
2.5) A decadência da cartografia na Idade Média
 
2.1) Mapas como produtos culturais

A confecção de mapas parece ser anterior à escrita e há muitos registros que comprovam que os mais variados povos nos legaram mapas, tais como: babilônios, egípcios, astecas, chineses, além de outros, cada qual refletindo aspectos culturais próprios de suas sociedade.

“(...) a necessidade de estudar as condições políticas e econômicas da época em que as cartas foram traçadas e até o que se pode averiguar da biografia dos cartógrafos, deixa-nos aperceber o âmbito social que as condicionou. O homem nunca poderá fugir à paixão avassaladora e salutar de conhecer a sua própria história. Não conseguirá fazê-lo mais agradavelmente do que através do estudo, mesmo ligeiro, de seqüência de cartas antigas em que os antepassados registraram, com mais ou menos fantasia ou realidade, as suas concepções e conhecimentos geográficos.” Cortesão (1960, p33-34)

Os mapas representam uma forma de saber, um produto cultural dos povos, e não um mero resultado de uma difusão tecnológica a partir de um foco europeu. Cada cultura exprime sua particularidade cartográfica, aos poucos, vem se tornando uma linguagem visual mais universal do que antes se pensava. Mesmo os produtos cartográficos mais modernos, baseados no uso de satélites e da informática, não deixam de ser construções sociais. É sempre conveniente chamar a atenção para a necessidade de se refletir sobre o fato de cada cultura possuir determinadas concepções do espaço e do tempo, as quais não podem ser menosprezadas e, muito menos, comparadas ou julgadas segundo modelos ocidentais europeus.
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2.2) Mapas, cartas e plantas

Mapas: representação gráfica, geralmente numa superfície plana e em determinada escala, das características naturais e artificiais, terrestres ou subterrâneas, ou, ainda, de outro planeta. Os acidentes são representados dentro da mais rigorosa localização possível, relacionados, em geral, a um sistema de referência de coordenadas. Igualmente, uma representação gráfica de uma parte ou total da esfera celeste.

Carta: representação dos aspectos naturais e artificiais da Terra, destinada a fins práticos da atividade humana, permitindo avaliação precisa de distâncias, direções e a localização geográfica da pontos, áreas e detalhes; representação plana, geralmente em média ou grande escala, duma superfície da Terra, subdividida em folhas, de forma sistemática, obedecendo um plano nacional ou internacional. Nome tradicionalmente empregado na designação do documento cartográfico de âmbito naval. É empregado no Brasil também como sinônimo de mapa em muitos casos.

Planta: representação cartográfica, geralmente em escala grande, destinada a fornecer informações muito detalhadas, visando, por exemplo, ao cadastro urbano, a certos fins econômicos-sociais, militares, etc. O mesmo que plano.
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2.3) Mapas e religiosidade

Os mitos e preceitos também estiveram presentes, influenciando a Cartografia. O ponto central de alguns mapas antigos era ocupado por uma montanha (p.ex.: monte Sumeru dos budistas, monte Meru dos hinduístas) ou por cidades (p.ex.: Jerusalém dos cristãos, Meca dos muçulmanos). Além disso, a preocupação com a viagem espiritual nos céus levou muitos povos a terem mapas orientadores de tais viagens (p.ex.: no Egito antigo, os ataúdes eram decorados com mapas e citações do Livro dos Mortos).

Há um mapa cristão, uma alegoria bíblica do século XV, que mostra cada continente até então conhecido (Ásia, Europa e África) como pertencentes aos filhos de Noé (a Ásia pertencia a Sem; a África a Cam e a Europa a Jafé).
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2.4) Confecção de mapas pelos povos

2.4.1) Chineses e gregos


A China pode ser citada como outra região em que a Cartografia oriental deixou marcas de grande valor histórico. Sabe-se que a cartografia chinesa já era bastante desenvolvida muito antes que na Europa começassem a se destacar as primeiros trabalhos neste campo de conhecimento humano. Em muitos lugares da China foram encontrados documentos bastante antigos que comprovam a preocupação dos governantes em mapear riquezas naturais daquele país.

Na China antiga, muitos mapas tinham finalidades cadastrais, demarcatórias de fronteiras, como documentos burocráticos, planos para conservação das águas, meios para fixação de impostos, estratégia militar, reconstrução da Geografia, testemunhos de continuidade cultural comprovada pela presença de túmulos, instrumentos de adivinhação, predição astrológica de fenômenos celestes e até mesmo proteção contra forças sobrenaturais.

Os gregos tiveram importância significativa no desenvolvimento da Cartografia ocidental, atribuindo-se a eles o estabelecimento das bases científicas da moderna Cartografia. Muitos estudiosos gregos desenvolveram trabalhos que marcaram o processo evolutivo das técnicas da cartografia. É o caso de Anaximandro de Mileto (611 a 547 a.C.), autor do famoso mapa que representava o mundo então conhecido - regiões da Europa e Mar Mediterrâneo, e de Hecateu, seu contemporâneo, que aperfeiçoou este mapa.

Nesta época, mais ou menos no século IV a.C., haviam diversas especulações sobre a forma da Terra. Uma delas dizia que nosso planeta, como criação divina, deveria ser esférico, pois a esfera era a forma geométrica mais perfeita. Isto, obviamente, iria influenciar a confecção dos mapas. Foram firmadas também as definições das linhas da rede geográfica: equador, trópicos, círculos polares, meridianos.

Outro nome importante é o de Eratóstenes de Cirene (276 a 196 a.C.), que chegou a dirigir a biblioteca do museu de Alexandrina. Através de seus conhecimentos de geometria, mediu a circunferência da Terra, obtendo um resultado próximo dos 46 mil quilômetros.
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2.4.2) Franceses e portugueses

A Cartografia francesa também registrou nome famosos na história dos mapas, como é o caso da família Sanson, que teve um Nicolau Sanson (1600-1667) a sua máxima expressão. Pelos Sanson foram publicados muitos mapas e atlas, percebendo-se, entretanto, a influência da cartografia dos países baixos, especialmente de Mercator.

A Cartografia portuguesa influenciou marcantemente o desenvolvimento dessa atividade no Brasil desde os primórdios de nossa história colonial.

A expansão ultramarina e a navegação marcaram profundamente o caráter utilitário da cartografia de Portugal da época da política colonialista, sendo intensa a produção de mapas marítimos mostrando a configuração das costas e o delineamento de continentes e ilhas.

Com a implantação da Imprensa Régia começam os trabalhos de edição de mapas nacionais, enquanto que o Real Arquivo Militar estaria responsável pela preservação de nosso acervo, com isso apoiando a impressão de novos mapas, como foi o caso da planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1812.
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2.4.3) Maias e astecas

Apesar de carecer ainda de estudos mais aprofundados, sabe-se que os povos maias e astecas, México, possuíam uma rica tradição cartográfica. Conta-se que Hernán Cortes, explorador espanhol, pelos idos de 1522, solicitou a Montezuma (Imperador asteca) informação sobre algum local em que seus navios pudessem aportar em segurança. No dia seguinte, chegou-lhe às mãos um mapa, desenhado num pano, mostrando todo o litoral com seus vários acidentes geográficos. A rapidez com que a informação foi dada a Cortés revela que os astecas mantinham seus manuscritos guardados de modo que pudessem vir a ser consultados e copiados com relativa facilidade.
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2.4.4) Árabes

Os árabes também se destacaram, no passado, principalmente como geógrafos, tendo grande importância muitos trabalhos dessa natureza, especialmente na Idade Média, quando o mundo ocidental de influência cristã foi tomado de um processo retrógrado de tratamento das ciências em geral.

Percebendo o valor dos conhecimentos antigos, principalmente dos gregos e, de modo especial, das obras de Cláudio Ptolomeu, tendo ainda por objetivo integrá-los à cultura muçulmana, os árabes foram incentivados a elaborar traduções dos tesouros científicos da antigüidade, preservando esses conhecimentos e enriquecendo-se com seus próprios estudos.

Há estudiosos que chegam a afirmar que Bagdá e Damasco se constituíram em verdadeiros pólos de saber durante o período compreendido entre os séculos VII e XII.

Os árabes, que também estavam envoltos em conquistas territoriais, sentiram a necessidade de avaliar os recursos das novas terras, bem como implantar um sistema fiscal e tributário mais eficiente, o que veio favorecer o desenvolvimento não só da Cartografia, mas também da Matemática, Astronomia e Geografia.
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2.5) A decadência da cartografia na Idade Média

A partir de Ptolomeu, temos um período de decadência, marcado pela Idade Média, no qual inclusive, sua grande obra foi proibida no mundo ocidental de influência da igreja católica romana, pois representava uma espécie de enciclopédia científica que em muitos aspectos não se enquadrava nos pensamentos dessa religião.

A Cartografia cristã da Baixa Idade Média, foi das mais pobres, tendo-se um bom exemplo na obra denominada "Topografia Cristã", de autoria do frade Cosmas Indicopleustes, editada pelos idos do ano 535, em que este nega a existência de antípodas (lugar que seria diametralmente oposto a outro no globo terrestre) e a idéia da esfericidade dos céus e da Terra.

Outro exemplo de retrocesso cartográfico está nos mapas que tinham por estilo a simplicidade e a simetria da distribuição das terras, o que também interessava à igreja romana, especialmente quando a terra santa era colocada no centro das representações.
 
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