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O que é Datum?
 
Escolhida a superfície de referência para as coordenadas geodésicas têm-se o que é denominado "DATUM GEODÉSICO HORIZONTAL" (D.G.H.). Para que um sistema geodésico fique caracterizado é necessário fixar e orientar o elipsóide no espaço. A fixação é realizada mediante a escolha de um ponto origem e a atribuição, de alguma forma, de coordenadas geodésicas, f G, l G ao mesmo, bem como, de um valor para a altura geoidal N. A orientação é definida pelo azimute de uma direção inicial. Esta caracterização de um DGH conduz ao conceito denominado sistema geodésico definido. Os métodos geodésicos clássicos, triangulação e poligonação, ou as técnicas modernas, uso de satélites artificiais, permitem que se obtenham coordenadas em tantos pontos quantos necessários, devidamente materializados no terreno, vinculadas ao ponto origem. O conjunto de marcos assim estabelecidos com as respectivas coordenadas leva ao conceito de sistema geodésico materializado. O que se deseja é uma perfeita coerência entre o sistema definido e o materializado; entretanto, os erros inerentes aos processos de medição não permitem geralmente uma completa identificação entre os mesmos. 
 
A menos de alguns sistemas locais usados no passado em caráter emergencial, o Brasil adotou durante muitos anos o DATUM "Córrego Alegre". Este nome provém de um vértice da triangulação, localizado nas imediações de Uberaba, e que constituía a sua origem. Os elementos característicos deste DGH eram:
  
F G = F A = 19o 50' 15,14"S
  
l G = l A = 48o 57' 42,75" w (II.3-1)
 
 N = O
  
AG = 128o 21' 48,96"
 
sendo adotado como elipsóide o de Hayford cujos parâmetros são:
  
a = 6.378.388 m (II.3-2)
  
f = 1:297,00
 
e AG o azimute geodésico da direção Córrego Alegre- Chapada das Areias.
  
A partir de 1979 a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através de seu Departamento de Geodésia decidiu por uma mudança. Adotou o sistema conhecido como SAD-69 (SOUTH AMERICAN DATUM 1969), cuja origem é o vértice CHUÁ. As características deste DGH são:
  
F G = 19o 45' 41.6527" S
  
l G = 48o 06' 04,0639" W (II.3-3)
  
AG = 271o 30' 04,05"
 
 N = 0
 
sendo x = 0,31" e h = -3,52", tendo como elipsóide aquele do Sistema de Referência 1967 cujos parâmetros são:
 
 a = 6.378.160 m (II.3-4)
  
f = 1:298,25
 
e sendo AG o azimute da direção Chuá-Uberaba.
 
 Isto tem implicado na existência de cartas referidas ao antigo sistema e cartas referidas ao novo, exigindo a devida atenção do usuário.
  
Até hoje não foi possível adotar um único DGH que fosse mundialmente aceito, o que seria desejável. Isto implicaria evidentemente em mudar toda a cartografia de cada País, o que seria certamente oneroso.
Entretanto, em alguns casos específicos, não há como fugir de um referencial comum. As informações e
elementos transmitidos pelos satélites para o posicionamento não podem atender a cada País especificamente. Neste aspecto, vem se evoluindo para um referencial que constitua uma perfeita materialização do Sistema Terrestre Convencional. Nesta tentativa surgiram, entre outros, o WGS-72 (Word Geodetic System 1972), o NSWC (Naval Surface Weapon Center) com algumas variantes. Estes ficam apenas citados a título de ilustração. É importante mencionar com mais pormenores o chamado WGS-84 (Word Geodesic System 1984) adotado como referencial nos satélites GPS. Na verdade, estes sistemas constituem mais do que um simples referencial. Estabelecem valores para uma série de constantes, tais como: velocidade angular da Terra, velocidade da luz, constante universal da gravitação, etc. As principais constantes a salientar no sistema WGS-84 são:
  
a = 6.378.137m ± 2 m
  
f = 1:298,257223563 (II3-5)
  
c = 299792458 m.s-1 (velocidade da luz)
  
J2 = 0,108263x10-2
 
e o fato de que o referencial cartesiano vinculado ao mesmo "coincide" com o Terrestre Convencional.
 
Em função da diversidade e do aperfeiçoamento de referenciais há uma constante necessidade de transformações para se poder fazer comparações de coordenadas.
  
É importante salientar que a materialização de um sistema cartesiano geocêntrico tem se beneficiado nos últimos anos das observações interferométricas levadas a efeito nas estações VLBI bem como das observações "laser" tanto aos satélites artificiais quanto à lua. Em função da alta precisão das referidas observações hoje se admite pequenas correções ao WGS-84 para compatibilizá-lo com um referencial geocêntrico devidamente orientado, o chamado ITRF (International Terrestrial Reference Frame). São elas: 
 
TX = -0,06 m a 1 = -0,01830 ²
  
TY = 0,517 m a 2 = 0,0003 ²
  
TZ = 0,223 m a 3 = 0,0070 ²
  
K = 0,011 PPM
 
Estas correções, compostas de três translações, três rotações e uma escala, aproximam o WGS-84 do sistema Terrestre Convencional. 
 
Por outro lado, o Departamento de Geodésia do IBGE determinou há alguns anos parâmetros de transformação do sistema WGS-84 para o sistema SAD 69 que consistiu nas seguintes translações:
  
TX= + 66,87 m
  
TY= - 4,37 m
 
 T2= + 38,52 m


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